Deputada federal chama para manifestação e lembra que povo de Goiás é testemunha de efeitos desastrosos de privatização da Celg
A presidenta estadual do PT em Goiás e deputada federal Delegada Adriana Accorsi publicou vídeo em suas redes sociais contra a privatização da Saneago. A parlamentar chama para ato que será realizado nesta quinta-feira (19/2), às 14 horas, no Cepal do Setor Sul.
O governo do estado marcou para o dia 25 de março o leilão que vai entregar o tratamento do esgoto de 216 municípios goianos à iniciativa privada por meio de uma Parceria Público-Privada – PPP.
“Com a privatização da Celg o serviço caiu de qualidade e os preços aumentaram muito. Agora querem fazer isso com a nossa água. Não vamos permitir”, alerta Adriana Accorsi.
O povo de Goiás conhece essa história de contas mais caras, problemas constantes de fornecimento do serviço e atendimento precário. É testemunha dos efeitos desastrosos da privatização da Celg (Enel e Equatorial) e da concessão dos serviços de esgoto em cidades como Aparecida, Catalão, Rio Verde e Jataí para a BRK Ambiental.
De acordo com a parlamentar, a Saneago, que é um patrimônio do povo goiano, é uma das melhores empresas de Saneamento do Brasil, presta um excelente serviço à população, é superavitária, e não há motivo para privatização.
Ela lembra que, quando a iniciativa privada fica com o lucro e o povo fica com o risco, isso tem outro nome, é privatização
De acordo com técnicos especialistas e representantes do sindicato dos urbanitários (Stiueg), a saúde financeira da Saneago é excelente.
Dados do próprio governo do estado indicam que a Saneago obteve Lucro Líquido Recorde em 2024, de R$ 621,5 milhões, superando o desempenho histórico de 2023.
Reestatização
O Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020) visa universalizar os serviços de água e esgoto no Brasil até 2033, estabelecendo metas de 99% para água potável e 90% para coleta/tratamento de esgoto.
O estado de Goiás já tem 98% do sistema de abastecimento de água universalizado e 74% do esgotamento sanitário (faltam aproximadamente 15%).
Os técnicos argumentam que, no patamar em que está, a Saneago tem plena capacidade de atingir a universalização do esgoto em 2030, três anos antes da meta da lei, que é 2033.
A privatização do esgoto é vista como um golpe, pois essa é uma das maiores fontes de receita da empresa, que hoje subsidia a universalização em cidades menores, algo que pode mudar com a entrada do setor privado.
No modelo de concessão patrocinada o poder público garante o lucro do parceiro privado e a população paga a conta.
Em São Paulo, a privatização da Sabesp, por exemplo, já mostra suas consequências com aumentos de até 1000% na conta de água, falhas na distribuição e milhares de famílias sem acesso ao serviço básico.
Mundialmente, há uma onda de reestatização de empresas responsáveis por serviços essenciais. É o caso, por exemplo, do setor elétrico francês e de gás alemão, que foram reestatizados em 2022. Dados da Public Futures, demonstram que 1.601 empresas já foram reestatizadas ao redor do mundo. A maioria delas atuam no fornecimento de água potável e tratamento de esgoto.